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esquisitinhos

abraçando plantas

. 1 minuto ler . Written by Fabiano Sei
abraçando plantas

certo neném
  sentia-se bem
dentre as coisas tantas
  abraçando plantas

Dava os primeiros, infirmes passos. Tudo tocava, nem tudo à boca levava. Cedo era seleto, especialmente ao toque: gostasse ou não da pessoa, a nem todos permitia que o levassem ao colo, abraçassem ou beijassem; eram as permissões racionadas, e ai do transgressor. Talvez no dia em que, por vez primeira, reparasse nas samambaias da mãe, encantado em desfolhá-las com os dedinhos à uma destrutivos e improdutivos na destruição, talvez nesse dia, pela reprimenda da mãe, operasse o menino o milagre interno da empatia: A plantinha é viva como você; não gosta de ser tocada desse modo bruto; fica triste. Atento talvez à tristeza das plantas—que não se deixa ver, que não desagua em choro nem muxoxo—, abraçou as pendentes madeixas da pteridófita ferida. Desde então, quando se aproximava da folhagem caseira, calma crescendo na sala-de-estar, cuidoso estreitava as co-cidadãs; preferencialmente, se o alcançasse, pelo caule as enlaçava; em não sendo possível, aceitava envolver o vaso—com um tanto mais de força, quiçá compensatória. Sorria, como prazenteiro em fazer algum bem, em levar seu pacto de amor àqueles pacatos, parados seres. Observara a mãe o comportamento em princípio, não certa se o deveria endossar pela omissão; de musculatura inda imatura, estava no limiar entre o razoavelmente descoordenado e o decididamente desastrado; poderia talvez ferir-se a si ou prejudicar as plantas. O exercício, porém, se falto em graça e precisão articular, parecia deliberadamente delicado. Uma vez dominada a arte do toque que quase não toca, ao solo sentado, longo passava abraçando alguma hortaliça, segredando-lhe em sussurros uma língua ignota, de si imprecisa, deleitando-se num amor que—como o dela materno a ele—era quase pura oferta.