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diário

alegoria alimentar

. 1 minuto ler . Written by Fabiano Sei
alegoria alimentar

Eis uma parábola: Suponhamos que estão, em certa casa, ao meio-dia, uma criança e um de seus responsáveis legais; digamos que tem aquela dez anos, aproximadamente. Fervem lentos no fogão uma panela cheia de arroz, uma panelão de feijão e um tacho de frango desfiado; à mesa, uma tigela de salada, de variados verdes. O responsável faz o prato da criança, nele deitando uma colher de chá de arroz, alguns grãos de feijão, alguns fiapos de frango e uns pedaços de folhas de alface. A criança olha para o prato, faminta, e diz que é muito pouco; o responsável, então, toma-lhe o prato, joga-o fora, e lhe explica em tom franciscanamente didático que seria muito melhor ela ir comer num restaurante, pois não há comida suficiente. A seguir, apressa-se a embalar os alimentos do almoço, para vendê-los ao mais próximo restaurante pela metade do preço de custo.

Não é impossível—felizmente, talvez não seja impossível—que soe estranha tal solução parental à fome infantil; quem a lê provavelmente (possivelmente) supõe que ao responsável seria muito mais fácil deitar mais comida ao prato da criança—afinal, é seu provedor legal, e os recursos disponíveis estão longe de serem insuficientes—; deve ainda compreender mal a venda dos víveres já perfeitamente preparados, a preço que sequer os compraria de volta.

Pois bem: se você achou isto absurdo, deveria pensar duas vezes antes de defender privatizações.