Isto aqui ninguém quer, nem isto quer ninguém. Isto aqui ninguém leu, nem isto leu ninguém.

Não é texto ou textura, não tem tom ou gramatura: nem Magritte ou Marguerite. Não é preta borboleta, nem verdes estende as madeixas: nem Malfatti nem Machado.

Não é paradoxo: não faz auto-referência, não faz auto-irreverência. Não é antítese: se nada diz, jamais se contradiz.

Se à frente o tivesses, não seria um cachimbo, nem a mensagem dum cachimbo. Se à frente o tivesses, não seria luneta, nem símbolo ou cegueira.

Não o lês, não o desejas ler, tampouco o saberias se o estivesses lendo. Não o lês: não o tens em frente, não te vem à mente.

Não estás lendo isto.
Não estás lendo isto.
Não estás lendo isto.