Não gosto de meta-poesia. De alguns meta-poemas, sim. Dos sapos de Marianne Moore, do já cansado poeta-fingidor de Pessoa. Poemas que me auxiliam a compreender a poesia. Mas da meta-poesia como uma hábito poético, não gosto. Assim como não gosto de meta-sambas; de canções que, para serem sambas, parecem julgar que devem necessariamente tematizar o samba—não as rodas de samba, não a roda para a qual não sabe Noel Rosa com que roupa vai, mas O Samba como instituição abstrata.

Todo poema é um meta-poema. Não fui eu quem o disse, não lembro quem foi. Todo poema tematiza, na própria construção, o que significa ou significaria ser ou fazer poesia. Meta-poemas de segundo grau—poemas sobre A Poesia—dão-me a impressão de uma ausência de mundo sobre o qual falar, de um elogio a si mesmo e ao próprio ato poético. Não gosto.

Esta nota não é um meta-poema. Não é um poema em prosa.