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diário

procura-se um texto

. 1 minuto ler . Written by Fabiano Sei
procura-se um texto

Há coisas que jamais imaginamos fazer dentro de determinada arte. Um cartaz de procura-se sem ser retratista, por exemplo; um cartaz de procura-se não a uma pessoa, mas a um texto.

O menininho que acompanha esta nota (outra coisa que jamais pensei fazer, embora já a haja visto nos livros de Alice de Carroll, e, de modo ainda mais flagrante e inescapável, n’O pequeno príncipe, é atrelar perpetuamente a um texto, a um determinado tipo de texto ao menos, uma ilustração, como sua necessária e irremediável parte) é baseado na descrição e na ilustração acompanhante de um texto—conto ou crônica, não posso precisar—que li no primeiro colegial, em aula.

Não lembro quem o escreveu, tampouco o título; narrava o trajeto de um menininho—macacão, um dos pés em gazes, cabisbaixo, olhos fitos, mão protetora—levando uma rosa. Sem cores, puro traço, a ilustração; focava o menininho, mas expandia-lhe em redor uma paisagem urbana—creio que à distância, creio que não exatamente convidativa. Nunca me saiu da cabeça a imagem: a pequenez protegendo a pequenez, a fragilidade transpondo a fragilidade, o foco no cuidado que o pouco tem pelo menos.

Não busco reproduzir uma ilustração que há décadas não vejo, embora talvez a reconhecesse se a avistasse. Compus a criança como as sei compor; acrescentei cores, desconsiderei a paisagem; creio que lhe compassei um tanto apressado o passo—imagino que a imagem original, igualmente compenetrada, fosse talvez um tanto mais lenta, embora estejam ambas, puras imagens que são, paradas. No mais, se alguém souber a que texto me refiro, agradeço se mo puder indicar.