esquisitinhos

superiores

. 1 minuto de leitura . Written by Fabiano Seixas Fernandes
superiores

jovem julgava
  vendedores
  a atores
  superiores

Quietinha, sentava-se nalguma poltrona de loja mais abastada. Estou só olhando, obrigada. Se precisar de alguma coisa, meu nome é Rubens. Logo, esqueciam-se dela. Adentram senhoras—universitárias, pela idade, pelo tipo de assunto, pelos adereços. Risonho, pergunta-lhes Rubens os nomes, apresenta-se; notória a delicadeza com que lhos repete ao se dirigir a elas. Pergunta o que fazem—na mosca: professoras—; diz-lhes que deveria ser mais valorizada a profissão, pois é base de todas as demais. Minha tia era professora de geografia, coadjuva uma das demais vendedoras. (Mantêm-se à distância, mas oferecem opiniões e concordam. Deve haver um acordo de rotação de clientes, é claramente a vez dele. Comissionados, certamente.) Algo há em como reagem as clientes às platitudes do atendente; conversam entre si, e as falas do moço soam suavemente intrusas. Algum comentário sobre a delicadeza feminina é veladamente mal-recebido, mas o vestido que o acompanhava, de fato, chamou atenção: uma das professoras se dirige com ele ao provador. Meus parabéns pela homenagem, Ana, este tom de bege vai cair super bem, e ao mesmo tempo vai parecer menos formal e mais fresco. Ao cabo de alguns minutos, chama Ana as demais ao provador. Pode sair, Ana, deixe-nos ver. Não falei que iria ficar muito bem nela? Caimento perfeito, secunda uma colega. Ficaria ótimo com aquele colar em que a outra senhora ficou interessada, lembra? Rubens se apressa em trazê-lo. Aprecia-se Ana, colar ao colo, junto ao vestido. As demais professoras escoltam peças ao provador. Cada uma sai com um vestido novo, Ana agrega o colar e um par de brincos. Sai também a jovem, satisfeita. E feliz pela venda.