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pequeninos

trilha

. 1 minuto ler . Written by Fabiano Sei
trilha

(1)
ao ouvir a primeira das Sorrowful Songs de Gorecki

carrasca cor
destes pálidos olhos quebrados
cascata carrasca
que dos tortos cantos das íris despencas
em procelas de líquidas facas

eis tua Beleza:
alquebradas
cortadas as mãos se estendem
e os olhos, trincados vitrais, amaciam


(2)
ao escutar um hino de Bortnianski que vinha evitando

passei a temer
  de certas canções a beleza:
regências que regam
que renegam
  com águas de sombra
     enferma a flora
  que estriadas as frias
     cardíacas fibras
  descrendo criaram
que emulam
que estimulam
  novilúnios os lírios
que supuram
que estruturam
  azeviche o azevim
que animam
que exterminam
  cansados os cravos
do coração:
  injusto jardim em flor


(3)
ouvindo Cab Calloway rasgar St James Infirmary

irmã e amiga
e mãe e filha
em púrpura pronta
e inteira vestida
doce dormindo, que corpo visitas
nas ondas envolto frias
das horas cerradas do dia
alvas mesas em torno estendidas
ao chão esparso
  é o teu, é o teu, é o teu

esposa e prima
e neta e filha
nas infindas horas
quando completa e pronta
enfim te encontras
que corpo choras
idas valsas duro dançando
sob o incerto assoalho dos prantos
não-sei-donde advindos
  é o teu, é o teu, é o teu


(4)
poema sobre as rimas do Bolero de Satã

eis a lâmina aziaga
aromática, uma adaga
  cuja estrutura pagã
  pelas mãos de cortesã
colhidas, de ervas-da-trindade
foi forjada sem maldade

envolveu-me co’ perfume
que lhe vazava do gume;
  de mim dentro deu-se afã
  arvorar-se assim malsã;
ferida abriu-me o fino esmalte
para que me às costas salte

e eis que agora tais palavras
quais, meu anjo, por mim lavras
  recito em dias sem manhã:
  partiu-me o cor a flor feito romã
—repito lenta, peregrina, e, passo a passo,
da adaga presa às costas, andando me afasto


(5)
a todas as versões da Melodia sentimental

  bocas
por quantas passaste
que tanto enriqueces
de alentos longes teu triste alento?

mais te amo
por todas e todos
com quem confluíste
  aos tolos
inepto o paladar da virgindade