Como identificar a contribuição de minha pesquisa?
Em ocasião posterior, comentei sobre o papel das conclusões de pesquisa; na ocasião, reforcei a necessidade da autoconsciência: o autor de um artigo científico só poderá apresentar conclusões válidas e, por conseguinte, redigir uma seção final relevante, se for capaz de identificar a real contribuição de seu artigo para os estudos nos quais se insere.
Essa consciência do próprio aprendizado é a mesma que nos faz compreender duas outras coisas igualmente importantes na conclusão de artigos: as lacunas da pesquisa e as possibilidades de elaboração futura. Como a popularização do efeito Dunning-Kruger deixa evidente, as pessoas verdadeiramente proficientes não apenas sabem o que sabem, mas sabem que não sabem. Sem esta consciência, a conclusão de um artigo é mero pró-forma.
Gostaria, hoje, de propor um simples exercício de autoauscultação que pode auxiliar o redator de artigos a localizar as informações relevantes para redigir sua conclusão. É necessário fazer duas perguntas a si mesmo, e separar bem as respostas:
- Ao realizar a pesquisa, o que aprendi de terceiros?
- Ao realizar a pesquisa, o que aprendi por mim mesmo?
A primeira pergunta deve encontrar resposta, principalmente, no referencial teórico; também pode ser fruto de conversas com o orientador, com leitores de rascunhos do artigo, etc. A segunda deriva dos dados e de sua análise: é aquilo que o pesquisador mesmo descobriu, que é capaz de afirmar por si, sem reproduzir das fontes.
Artigos falhos em suas conclusões, não raro, repetem a resposta da primeira ao responderem a segunda, gerando conclusões que apenas reiteram os pressupostos iniciais da pesquisa. Independentemente de pareceres favoráveis (e artigos assim são, sim, aprovados), isso invalida o artigo: não houve aprendizado, nem incremento; o texto é circular, e não apresenta contribuição relevante ao campo, sendo mera gordura curricular.
