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Quanto deve cobrar um tradutor inexperiente? A Regra de Ouro do orçamento

. 2 minutos de leitura . Written by Fabiano Seixas Fernandes
Quanto deve cobrar um tradutor inexperiente? A Regra de Ouro do orçamento

Já abordei em outro texto o problema do orçamento; congênere ao pepino orçamentário, há o abacaxi da experiência. Quem trabalha há menos tempo—por receio, por não ser ainda muito conhecido no mercado, por não estar familiarizado com as práticas de cobrança—corre o risco de orçar muito abaixo.

Tradutores excessivamente barateiros geram um problema para toda a categoria—como já pontuei ao falar das diretrizes para orçar e avaliar orçamentos—, mas é particularmente ruim para o profissional que se inferioriza. Pensei, portanto, em compartilhar aquela que me parece a Regra de Ouro dos orçamentos de serviços:

O cliente não está comprando sua experiência, mas um determinado patamar de qualidade.

Tanto o tradutor versado quando o iniciante precisam se lembrar disso: o cliente não está levando para casa seu currículo, histórico ou portfólio; está levando um produto, oriundo de um serviço prestado. Este produto tem de atender requisitos mínimos de qualidade. Se você, independentemente de sua experiência, consegue garantir isso, então pode adotar práticas orçamentárias condizentes com qualidade ao invés de tempo.

É um erro comum tomarmos experiência como sinônimo imediato de qualidade. Você pode, sim, fazer a mesma coisa errado durante décadas—nada mais comum, aliás; você com certeza conhece alguém que é muito ruim no que faz desde que o mundo é mundo.

Se é verdade que tradutores demasiadamente inexperientes podem cometer erros elementares e necessitar de mais tempo para entregar suas encomendas, também podem estar mais sujeitos a ouvir críticas, a levar em conta o feedback do cliente e a buscar aprimoramento; também podem ter a agilidade, a presteza e a flexibilidade típica dos períodos (produtivos) de aprendizado intenso.

Tradutores mais experientes, por sua vez, podem realizar serviços de altíssima qualidade em prazos relativamente rápidos, e já contar com uma rede de relações e recursos bastante sólida, mas talvez nem sempre consigam acompanhar as tendências de mercado, podem ossificar determinadas preferências e ser mais avessos a críticas—a crise do “faço isso há sei-lá-quantos anos”.

Resumo da ópera:

  • Se você, como tradutor inexperiente, consegue garantir a qualidade e a aceitabilidade de seu trabalho, evite orçá-lo baseado em tempo de serviço. Evite se inferiorizar desnecessariamente, e, ao fazê-lo, rebaixar a classe inteira de seus colegas.
  • Se você, tradutor tarimbado, já consegue cobrar baseado em sua experiência, evite menosprezar o trabalho dos mais novos; isso se volta contra você, pois também eles estão na sua categoria profissional, e os preços que eles cobram podem influenciar negativamente os seus.